Princesa Mononoke (1997)
O filme é sobre tomar uma decisão, sobre impedir as pessoas de cometerem erros e sobre o que acontece se você opta por deixar elas descobrirem por si mesmas as consequências das suas ações.
Na primeira vez que eu assisti Princesa Mononoke, em meados de 2011, eu sai achando que o Ashitaka era o maior frouxo do mundo. Ele simplesmente não se decidiu. Ele quer ficar com a San? Ele quer viver entre os humanos?
Vendo essa segunda vez eu noto que minha posição era bem próxima dos dois extremos, representados pela Moro (a loba deus mãe da Mononoke) e a Sra. Eboshi, líder dos seres humanos destruidores de árvore e mineradores (que no fundo são pessoas simples e legais com boas personalidades tentando sobreviver ao mundo hostil).
Porque pra mim é difícil não optar por um extremo. O papel de mediar conflitos é um que eu tomo constantemente na minha vida, e ir no cinema pra assistir um herói incapaz de tomar uma atitude drástica é anticlimático.
Só que nessa segunda assistida eu entendo que essa dificuldade em decidir é o cerne: nenhum dos lados está errado. Eles se recusam a cooperar. Seja por ganancia (a Sra. Eboshi tão cega na sua missão de matar deus que ela entrega as suas mulheres à própria sorte) quanto orgulho (um lobo deus que aceita a morte da floresta como uma fatalidade irremediável).
Essa busca zen budista por uma decisão acertada, reduzindo ao máximo a injuria a todas as partes é a característica do vilarejo de onde Ashitaka veio.
Não me surpreende que no fim do filme ele não queira mais voltar pra lá. Ele viu que as pessoas vivem tomando decisões irrevogáveis e que é preciso alguma obstinação (e também ignorância) pra conseguir se impor no mundo.
Mas ele não esqueceu em nenhum momento a fala da Obachan1.
ps. aqui tem uma transcrição de todas as falas do filme (em inglês, infelizmente). e aqui tem quase todos os frames do filme em hd.