Contos de Terramar (2006)
Um filme de 2006 onde o cenário rouba o papel do personagem principal. As imagens estáticas, desenhadas, dos lindos cenários de baixa fantasia nos lembra civilizações como aquelas do Senhor dos Anéis, onde gigantescas cidades existem com pequenos toques de magia: o sobrenatural existe mas não é corriqueiro. As pessoas comentam sobre coisas fantásticas, mas todas são de tempos passados ou que estão acabando.

A cidade de Hort é uma metrópole. Muitas pessoas visitam o mercado todos os dias, e lá viajantes de diferentes origens se encontram. O uso de drogas é um problema social forte e pessoas viciadas em Hazia aparecem atiradas nos becos. Infelizmente o filme não se demora nesse tema. Fiquei curioso para saber como a droga é produzida, se ela é algo mágico ou produto da alquimia da época.

As pessoas também vão à Hort para serem vendidas. A escravidão é comum, e os vilarejos ao redor da cidade são vitimas constantes de pilhagem. Não fica claro como alguém é escravizado, mas é um destino que pode cair facilmente sobre qualquer um. Até senhorinhas idosas são rápidas em explicar que não teriam bom valor de mercado no primeiro vislumbre de cavaleiros desconhecidos.
Hazia não é a única trama que é deixada de lado. O filme propõe ideias ótimas que não conclui. Os marinheiros da cena de abertura acompanham de perto a luta de dois dragões, seres fundamentais na mitologia do país, mas nunca mais vistos.
Tirando uma rápida cena onde o rei é alertado sobre isso, nunca mais ouvimos falar nisso.

Um dos dragões era Therru? Quem era o outro? Existem mais pessoas dragões? Porque eles brigavam?
A espada mágica carregada por Arren, pela qual ele sacrificou a vida do próprio pai, também não tem seus segredos revelados. Ela inspira medo nos bruxos e magos do reino, e é capaz de ferir seres imortais, mas não tem nenhum significado maior além disso.

É um poder pelo qual ele pagou com o sangue de um pai que não conhecemos. Era um bom pai? Um tirano? As poucas cenas em que ele aparece, esteve ocupado discutindo o futuro do reino, e até pareceu disposto a se preocupar com o bem estar do filho, mas suas atribuições foram mais urgentes.
O mago Ged (o Gavião) traz uma reflexão sobre como nos enfraquecemos através do distanciamento da natureza, e também sobre como a vida não tem valor na ausência da morte, e talvez no fim Arren tenha se redimido ao matar, junto com Therry, o Senhor Aranha, pois tudo ali indica que a imortalidade tinha se transformado numa maldição, e não num super poder.
É um filme feito de ambientação. Os personagens principais não possuem aquela distinção que estamos acostumados de ver em animes (geralmente dá pra apontar com facilidade qual é o main character), e vários se parecem entre si (o rei, o mago), mas ainda sim é uma ótima história, e me deixou com vontade de ler o livro no qual o roteiro foi baseado, da autora Ursula K. Le Guin.
